sexta-feira, 7 de março de 2014

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Resenha: ViVendo Um Outro Olhar

 

Não quero ter um milhão de amigos

Acredito que, depois de Gutenberg, a internet é a mais valiosa ferramenta de comunicação humana que já foi inventada. Acredito também que determinadas plataformas de comunicação “social” são a negação desta mesma comunicação social. Quanto mais interagimos virtualmente, menos nos relacionamos com aqueles que deveríamos nos relacionar.
Nossos amigos realizam exposições fotográficas, shows de música, peças de teatro, filmes e documentários, palestras e debates; acreditamos que com um simples clique no "Curtir" já cumprimos nosso papel de amigo e de pessoa devidamente participante de um processo cultural, político e social. Participante como um elemento ativo, na família, na sociedade, na ação, reação e interação para a construção de mundo melhor e mais justo. 
Há pouco tempo, um fotógrafo amigo fez a apresentação de um filme que ele dirigiu. Nas redes sociais, dezenas de elogios, centenas de confirmações de presença. Presencialmente compareceram cinco amigos, pois o restante considerou já suficiente a “presença” confirmada pelas redes sociais. A lógica é essa. Eu não preciso ver, falar, abraçar ou beijar nenhum amigo, pois o beijo mais atual, o abraço mais carinhoso é o abraço que não existe fisicamente, é o contato virtual.
Essa ferramenta, o Facebook, tem diversas utilizações positivas, tais como divulgação, interação virtual, divulgação imediata de eventos, de manifestações, aproximando pessoas que há tempos não se falavam, etc. Com ele, é possível saber mais da vida daquelas pessoas que interessam a cada um de nós.
Mas também essa ferramenta, essa plataforma milagrosa, tem um outro lado da moeda, um pouco mais sombrio, menos explícito, menos virtualmente romântico. O lucro de empresas midiáticas na área da informação e da comunicação - nem tanto os funestos, os tradicionais meios de comunicação da grande mídia - se realiza através da venda de informação do meu, do seu, dos nossos dados pessoais. Este é um dos grandes propulsores desta indústria bilionária dos maiores impérios já criados na área da comunicação.
Não apenas a venda de informação, mas a grande utilização dos conteúdos gerados, de música, filmes e fotos, por aqueles que apenas anseiam ser reconhecidos por seus semelhantes, participantes das áreas de interesse mútuo dentro da sociedade. Nós cedemos todo o conteúdo, gratuitamente, para um sistema capitalista de lucro que usa como matéria-prima de produção, as nossas vidas, nossos amigos, nossos anseios e informações a respeito de nossas famílias.
A formação de nossas identidades se orienta através da lógica do espelho. Procuramos reconhecer iguais dentro de uma vastidão de pessoas e nisso o Facebook ajuda com seu 1,2 bilhão de seguidores, com seus 350 milhões de fotos publicadas diariamente mundo afora. Eu não quero ter um milhão de amigos. Eu quero ter centenas de amigos, com os quais eu me encontre pelas ruas e que ninguém lucre com isso, me espione ou me censure pela facilidade de sua ferramenta.
Muitas vezes me surpreendo com a agressividade de manifestantes contra o que eles corretamente rotulam como a grande imprensa corporativa. O que me irrita é a agressividade contra o individuo-fotógrafo, o indivíduo-jornalista, que representa a empresa sim, mas não necessariamente compactua com a ideologia corporativa dessa mesma empresa. Mas isso é outra discussão e não acho que eu deva aqui abrir espaço para isso. Essa discussão tem que ser mais ampla.
O que eu acredito é que para se criar uma nova mídia popular não se tenha que usar apenas Facebook, Youtube, Twitter e outras ferramentas que são o mainstream da mídia moderna. Acredito que estas empresas são as que verdadeiramente detêm o monopólio da mídia corporativa, não só no Brasil como em todo o mundo. O Facebook e o Youtube são ferramentas importantes para publicação online das manifestações e outras contestações políticas e sociais. Elas são importantes não só para os manifestantes, mas também para a polícia, para o Estado, que passa a ter um controle sobre essas mesmas manifestações.
Quantas pessoas conhecem o Face Popular, rede social para a América Latina criada na Argentina? Porque não é possível a criação de diversas plataformas de mídias populares, que não detenham o poder da comunicação mundial? Será que o fotógrafo que trabalha em O Globo, ou um cinegrafista da Band, da Record ou de onde quer que seja, é melhor ou pior, mais ou menos digno daqueles que de forma inocente usam estes canais de mídia verdadeiramente corporativos, capitalistas, a serviço do primeiro mundo para realizar uma mídia alternativa?
Bem, não acredito que isto que escrevo aqui seja a verdade, ou que eu tenha a pretensão de abrir uma discussão a respeito, pois também o que me falta é tempo para discussão na internet. Mas como escrevi no começo deste pequeno texto, a web é o meio de comunicação mais completo depois da invenção da palavra impressa, por isso estou trabalhando em um site meu (em desenvolvimento), esse Blogspot, um perfil no Face Popular e uma página no Facebook, sem informações pessoais, tudo administrado por um profissional da área.
Não quero ter um milhão de amigos. Quero ter muitos aqui pelo Largo do Machado, em Brasília, São Paulo, Alto Paraíso, Argentina, Cuba, Uruguai, Bolívia, Favela da Maré e todo lugar onde possamos chegar com nosso trabalho, para encontrar, beber cerveja, rir de tudo e de todos, mas principalmente de nós mesmos.

Guillermo Planel

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Resenha: Mais Náufragos Que Navegantes

Além da jornalista Amélia Gonzalez, a Revista da Cultura também fez uma análise do longa-metragem Mais Náufragos Que Navegantes. A jornalista Adriana Paiva, depois de uma entrevista comigo, preparou essa resenha que aborda a origem do filme e toda a temática dos direitos humanos e universais. Também é mais uma que vale a pena conferir.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Resenha: Mais Náufragos Que Navegantes


Amélia Gonzalez, jornalista do portal G1, publicou uma matéria sobre o longa Mais Náufragos Que Navegantes, onde ela, utilizando a temática do filme, reflete sobre o seu passado e alguns eventos da atualidade, tratando de temas como a ditadura militar, as relações de trabalho e as UPPs do Rio de Janeiro.

Para quem se interessar, a matéria também está disponível aqui.

Documental: Más Naufragos Que Navegantes

Mais Náufragos Que Navegantes

Divulgação: Mais Náufragos Que Navegantes

Debate sobre direitos humanos no Congreso De La Nación ArgentinaDERHUMALC. Na foto, Hugo Cañon (Procurador Geral da República Argentina), Taty Almeida (Madres de Plaza de Mayo) e Alejandro Kaufmamn (Filósofo).

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Bastidores: Mais Náufragos Que Navegantes

Oscar Niemeyer, em uma de suas últimas entrevistas, para o longa-metragem Mais Náufragos Que Navegantes.

Bastidores: Mais Náufragos Que Navegantes

Entrevista com o cartunista Ziraldo, para o longa-metragem Mais Náufragos Que Navegantes.